Nos últimos dias, ouvi muita gente dizer que o jornalista Alberto Dines morreu. A voz que distoou de todo o tom da tristeza e abatimento em que a minha bolha de Facebook (recheada de gente da comunicação social), foi a do meu orientador de Mestrado, professor José Carlos Fernandes. O Zeca, como todo costuma chamá-lo, afirmou que Dines vive! De fato, tá mais do que vivo do que nunca! Seja por meio de seus mais de 15 livros publicados (dos quais destaco ‘O papel do Jornal’), seja através dos mais de 300 vídeos do programa Observatório da Imprensa, que apresentava semanalmente na TV Brasil.

Garimpei algumas edições do programa que já assisti e outras cujas temáticas me soaram absolutamente interessantes e listo todas elas logo abaixo, para o caso de você se interessar em assistir.

Tá preparado(a)? Então, bora lá!


1. O ousado – e respeitoso – encontro com o então vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, filho de Roberto Marinho, em 2014.


2. A repercussão causada pelo editorial do Jornal O Globo em que a empresa admite ter apoiado o Golpe Militar de 1964.


3. A cobertura midiática acerca do estouro da barragem de degetos da Samarco, em Mariana (MG)


4. Quando o pesquisador brasileiro negro, que já li algumas vezes na época da graduação e na pós, Muniz Sodré, contribuiu nos debates sobre redes sociais (:


5. Aquele encontro maroto entre um ícone do jornalismo com o ícone do vidocumentarismo brasileiro


6. Os [re]significados dos 40 anos do assassinato (completados em 2015) do jornalista Vladimir Herzog


7. Quando a TV Brasil traduziu toda a entrevista com aquele sociólogo polonês que você tanto respeita


8. Um pensador latino-americano de peso (que vivo lendo no Mestrado) já fez um rolê no programa dele! #Canclini #CulturasHíbridas


9. A ocasião em que a Lei de Acesso à Informação completou um ano de existência, em 2013


10. E quando ele trata daquele tema que mora dentro do coração da gente: Educação!


Espero, de verdade, que você tenha gostado da lista e volte aqui sempre que quiser assistir a algum dos vídeos. Seja pra se abastecer de novos olhares e opiniões, quanto pra aproveitar melhor aquele tempo utilizado pra lavar uma pilha enorme de louças, escutar ou assistir ao ‘Observatório da Imprensa’ pode ser uma atividade mais envolvente do que você imagina 😉

Dines faleceu aos 86 anos por conta de uma pneumonia, na última terça-feira (22/05/2018), em São Paulo (SP).


Manifestações de respeito e carinho
A seguir, publico algumas bonitas homenagens que o jornalista recebeu pelo Instagram, de admiradores(as), amigos(as) e leitores(as)./ telespectadores(as)

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É com muita tristeza que lamento a morte do grande e renomado jornalista #AlbertoDines, fundador do Instituto Stephan Zweig e do @observatoriodaimprensa – que nasceu por suas mãos em 1996, no Laboratório de Jornalismo da Unicamp, com o objetivo de transferir da academia para a sociedade o intenso debate sobre a qualidade e os rumos da comunicação social no Brasil. Dines, cuja trajetória profissional contribuiu bastante para a construção de um jornalismo ético no Brasil, tinha uma atuação que caminhava na contramão da defesa do status quo que é feito pela grande imprensa tradicional. Em 2013, durante os protestos que tomaram conta do país contra a tomada da Comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara dos Deputados pelos fundamentalistas religiosos, eu tive a honra de participar da versão televisiva do Observatório, onde discutimos a postura da imprensa brasileira diante do preceito do Estado laico e cuja íntegra vocês podem assistir em meu canal do Youtube. Na época, Alberto Dines havia acabado de ser demitido de um grande jornal nordestino por ter criticado as constantes violações e ameaças à laicidade do Estado brasileiro. O jornalismo brasileiro perde hoje uma voz franca e corajosa! Deixo meus abraços fraternos aos familiares, amigos e todos aqueles que, assim como eu, o admiravam!

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Um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, Alberto Dines morreu aos 86 anos. Segundo a mulher do jornalista, Norma Couri, ele teve a morte confirmada na manhã desta terça-feira. Dines estava internado há dez dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele deixa mulher e quatro filhos. O jornalista pegou uma gripe da mulher, que se agravou e virou pneumonia. Dines sofreu com a deficiência respiratória e não resistiu nesta terça-feira. O hospital informou que o paciente morreu às 7h15m. O velório deve ocorrer em São Paulo, cidade em que o profissional vivia. No site do #JornalOGlobo você relembra a trajetória brilhante de Dines. #albertodines #jornalismo #luto 📸: Leo Aversa/@agenciaoglobo

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O jornalista Alberto Dines morreu nesta terça-feira (22) aos 86 anos. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A causa da morte não foi informada. Jornalista desde 1952, Alberto Dines dirigiu a Redação do Jornal do Brasil num de seus períodos mais inovadores e criativos, de 1962 a 1973. Em 1975, quando foi dirigir a sucursal da Folha no Rio de Janeiro, lançou a coluna Jornal dos Jornais, considerada precursora na crítica sistemática dos meios de comunicação no país. Em 1996, lançou o Observatório da Imprensa, um dos frutos do Projor —Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo—, também criado por ele com o apoio da Unicamp. Deu aula de jornalismo na PUC-RJ e foi professor visitante na Universidade de Columbia, nos EUA. Leia mais em folha.com.br (Foto: Ze Carlos Barretta/Folhapress) #folha #albertodines #fsp #noticias #news

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Faleceu ontem, aos 86 anos, o jornalista Alberto Dines. Mais do que um nome reconhecido, Dines era um mentor da prática jornalística feita com coragem, técnica, inteligência e criticidade. Diante de todas as intempéries que a imprensa atravessa ao longo dos séculos (mandos e desmandos políticos, crises que enxugam redações, interesses empresariais acima da notícia, da ética e da busca por um caminho imparcial), Alberto Dines utilizou o saber jornalístico e a vocação científica para fazer um trabalho memorável, servindo de guia para estudantes, profissionais e professores de Comunicação. . A bibliografia do meu curso de Jornalismo (2008 – 2011) trazia "O papel do jornal: uma releitura" como livro básico para entender a produção e a consciência política e social da produção jornalística. O livro vem sendo adotado nas Escolas de Jornalismo do país desde 1974, tornando-se clássico imediato. O texto também foi uma das principais fontes de referência do Manual Geral de Redação da Folha de São Paulo (1984). Como não poderia deixar de ser, é um livro crítico, analítico, detalhado, que se ocupa de relatar depoimentos e experiências e justificá-los à luz da prática e da teoria do Jornalismo. . Como profissional e pesquisadora da Comunicação, tenho por opinião que as faculdades de Jornalismo precisam continuar evoluindo em estudo, pesquisa, prática e qualificação. Quanto menos romantismo quixotesco existir, e mais análise, prática, discussões científicas, políticas, sociais e éticas vierem à tona, mais o potencial e a qualificação dos profissionais encontrarão espaço para proliferarem e frutificarem, formando não apenas jornalistas e comunicadores de superfície, preocupados com o que José Marques de Melo chamou de "registro pitoresco da sua atividade", mas sim aguçados pela "inquietação intelectual", uma ferramenta poderosa do pensar e do fazer. Devo ao estudo da comunicação, com ênfase na prática jornalística, boa parte da minha escrita analítica, crítica e da capacidade de encontrar conexões em pontos supostamente opostos. E isso tem sido fundamental para os meus propósitos – sejam eles do momento presente ou de planos futuros. 👣

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