Estudantes dos cursos de Mestrado e Doutorado do PPGMade – Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento e de Mestrado do PPGCom – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estiveram juntos no Auditório do Decom – Departamento de Comunicação para participarem de uma aula sobre Estudos Culturais, ministrada pela professora e doutora em Comunicação e Informação Valquíria John.

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A atividade aconteceu na tarde do dia 16 de Maio (quarta-feira), como uma ação de integração entre os programas. Após as boas-vindas dadas aos participantes, pela vice-coordenadora do Departamento de Comunicação e doutora Myrian Del Vecchio, Valquíria iniciaria uma aula, no mínimo provocativa, costurando as inter-relações entre comunicação e desenvolvimento socioambiental com o tema central da atividade.

Por meio de discussões contemporâneas como, por exemplo, a forma como as mulheres são representadas nos meios de comunicação, a utilização dos memes nas redes sociais e as relações de trabalho, de consumo e produção no mercado na moda, a professora foi correlacionando e, de certo modo, atualizando essas narrativas e fenômenos midiático-ambientais aos Estudos Culturais.

“Uma das principais contribuições dos estudiosos desse campo, acredito eu, foi afirmar que a cultura popular é tão importante quanto a cultura dita como clássica, erudita”, comentou Valquíria durante a aula.

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Fazendo um percurso histórico-cronológico, a aula abordou o surgimento dos Estudos Culturais na década de 1960, o contexto em que se desenvolveu e um pouco da vida, obra e contribuições de seus principais estudiosos. Além de indicar a leitura de diversas obras de autores como Raymond Williams, Antono Gramsci e Stuart Hall, também foram citadas produções audiovisuais como ‘Diamante de Sangue’ e ‘Jardineiro Fiel’, que retratam impactos sociais dos modelos de produção industrial de jóias e remédios, respectivamente.

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Os(as) acadêmicos(as) também foram convidados(as) a assistirem, antes da aula, ao videodocumentário ‘True Coast, do diretor Andrew Morgan, disponível na Netflix e no site oficial do filme (ambos para pagantes). A obra trata, em linhas gerais, do modo como a indústria da moda impacta a vida das pessoas e do planeta, da forma como vem sendo desenvolvida, trazendo à luz os regimes de trabalho análogos à escravidão, o uso de agrotóxicos nas lavouras de algodão – e seus efeitos em quem o aplica, que está associado ao suicídio, inclusive -, o acúmulo de lixo têxtil em países rotulados como de ‘terceiro mundo’ e uma diversidade de outros problemas retratados.

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A aula questionou a pesquisa e atuação dos dois grupos presentes no auditório. “Afinal, existe um jornalismo e uma produção de comunicação de massa capaz de abordar, com a devida seriedade, as temáticas socioambientais? É possível pensar em práticas socioambientais e em comunicação sem perpassarmos pelo consumo consciente?“, indagou a professora ao convidar as turmas para o debate.

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Para além de tratar sobre os Estudos Culturais em sua essência, a aula também reservou espaço para trazer algumas críticas a esse campo de estudo, de modo a não romantizá-lo nem afirmá-lo como algo plenamente incontestável e absoluto. Para tanto, a professora citou as críticas feministas que, apesar de reconhecer as contribuições dessa Escola de Pensamento, também pontua que as mulheres não foram incluídas no grupo de pesquisadores da CCCS – Centre of Contemporany Cultural Studies, da Universidade de Birmingham, Inglaterra, o que denota uma falta de sensibilidade e visão inclusiva de seus fundadores.

Visite o álbum de fotos da aula com todas as imagens produzidas através do Flickr!

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